Empresários pedem ao governo para que dê mais atenção ao setor industrial durante reunião da MEI

Evento reuniu líderes empresariais de todo o país e senadores e deputados da Frente Parlamentar que defende a ciência, tecnologia, pesquisa e inovação no Congresso Nacional.

A triste realidade das empresas e indústrias brasileiras foi exposta durante a reunião em conjunto realizada, nesta sexta-feira (29), pela Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), que é coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e a Frente Parlamentar Mista de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação, por meio de videoconferência. O encontro contou com a participação de cerca de 400 pessoas entre empresários, dirigentes de entidades e parlamentares, além de colaboradores.

O presidente da CNI, Robson Andrade, ao abrir o encontro destacou a importância da promoção de debates como o que foi realizado hoje. Para ele, o Brasil precisa retomar o crescimento econômico e um dos caminhos apontados pelo dirigente é incentivar as empresas e indústrias a investirem na inovação.

Os participantes assistiram apresentações feitas por especialistas e representantes do setor. O indiano Soumittra Dutta, professor da Cornell SC Johnson College of Business, abriu as apresentações. Soumittra mostrou dados comparativos entre o Brasil, China e Índia, e citou quais foram as ações que fizeram esses países seguir nas primeiras posições no Índice Global da Inovação (IGI). “Esses países conseguiram aumentar a participação de suas indústrias na economia a partir do incentivo à inovação”, disse o especialista.

Ao apresentar os dados da economia brasileira em relação ao setor industrial, ao contrário do que se vê em outros países, Pedro Wongtschowski, presidente do Conselho de Administração da Ultrapar e membro do Conselho Consultivo do Índice Global de Inovação (IGI), disse que o Brasil vem diminuindo os investimentos a cada ano e que as indústrias do país não têm o mesmo peso do passado no Produto Interno Bruto (PIB). “Os investimentos são baixos e a reserva de contingência de recursos é muito grande, o que impede a nossa capacidade de modernização e aumento da produção”, avaliou Wongtschowski.

Já o diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Luiz Eugênio Mello, trouxe um alento aos participantes da reunião e mostrou que o Brasil tem um enorme potencial na área de pesquisas científicas. Ele apresentou cases de sucesso já para o atual momento de enfrentamento ao coronavírus. “Os nossos pesquisadores podem contribuir muito para o Brasil e são reconhecidos mundialmente pelo trabalho que desenvolvem”, destacou Luiz Eugênio.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, falou das metas do governo federal, sendo que entre as principais estão o incentivo ao desenvolvimento de vacinas. “Somos referência para o mundo nesse setor e estamos trabalhando para viabilizar o aumento da capacidade de produção de vacinas”, revelou Marcos Pontes.

O presidente da Frente Parlamentar, senador Izalci Lucas (PSDB/DF), que durante a abertura fez questão de destacar a importância de se promover a integração entre a educação e a tecnologia, assumiu o compromisso de criar mecanismos que impeçam o contingenciamento de recursos destinados à inovação. “Vocês podem contar com meu apoio para que os recursos como do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia), que é uma mixaria, não sejam contingenciados. Temos que transformar esse fundo, num fundo financeiro para que possa financiar projetos”, afirmou o senador. O parlamentar aproveitou para dizer ao ministro Marcos Pontes que é “preciso popularizar a ciência e tecnologia nesse país. As pessoas tem que entender a importância dessas áreas”.

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